Eu te ofereço Minas

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Eu te ofereço Minas

porfeta

porfeta Eu te ofereço MinasNão trabalho para a secretaria de turismo de Minas Gerais. Mas quero te convidar a vir comigo a Minas. Convoco os gaúchos a fazerem o mesmo que estou fazendo, exaltando os pampas e suas belezas.

Os paranaenses, cantando a Ópera de Arame, a Serra da Graciosa e o antológico barreado de Morretes.

Os amazonenses, tecendo loas às belezas naturais da maior floresta do mundo. E por aí afora.

Todo brasileiro, caso seja da sua vontade e, cada um à sua maneira, poderia ser um guia turístico informal. E o Lula bem que poderia mandar um dinheirinho para ajudar na saliva.

Tenho orgulho do lugar de onde vim, de sua gente hospitaleira, suas montanhas que quase tocam o céu, suas ruas estreitas, as igrejas banhadas a ouro, a culinária robusta, e toda a história que Minas carrega em sua bandeira: Libertas Quae Sera Tamem.

Quero te convidar, caro leitor, a um passeio por Ouro Preto, Tiradentes, Mariana e Diamantina, para um banho de barroco.

Quero que tenha a estranha sensação de caminhar sobre as tabuas onde repousa o corpo de Aleijadinho. E te mostrar o que ele fez em vida, seus anjos, seus santos, seus girassóis. Vamos a Congonhas do Campo apreciar a beleza de seus profetas, sua obra-prima. E vamos além.

Quero que vá comigo ao Mineirão assistir Atlético x Cruzeiro, um dos clássicos mais importantes do futebol brasileiro. No intervalo do jogo, comeremos juntos um prato de feijão tropeiro: arroz, feijão tropeiro, alguns torresminhos, couve cortada bem fininha e um essencial ovo frito, esparramado por cima. E por apenas 5 reais.

Poderemos ir ao Vale do Jequitinhonha comprar umas peças de artesanato, lindíssimas, feitas por gente do povo, gente simples e talentosa, que transforma o barro que vem do chão em sustento.

Podemos conhecer o circuito das águas, ao sul do estado. Dizem que as águas de Caxambu, São Lourenço e Araxá operam milagres. Que elas lavem nossas mágoas e tristezas, então. E nos dêem uma alegria novinha em folha, além da sensação de frescor.

Se for da sua vontade, meu caro visitante, poderei te mostrar os cenários onde bambas de nossa literatura moldaram suas obras. Vamos a Itabira, trafegar pelas ruas de Drummond. Pode ser que encontremos aquela pedra do meio do caminho, do poema “José”.

Sei de um atalho até Cordisburgo, onde Guimarães Rosa viveu e pariu seu Grandes Sertões, Veredas. Te levo à casa de Guimarães. Mostro-te a cama onde ele dormiu. A mesa onde ele se sentava para tomar café.

Não muito longe dali está a gruta do Maquiné, um lugar místico, especial. Dependendo da sua disposição, dá até para ir a pé.

Irei te levar ao Mercado Central para tomarmos uma cerveja em pé, com o umbigo colado ao balcão. Comeremos fígado acebolado e jiló. Uma iguaria.

Te oferecerei abacaxi no palito. Mostrarei os saborosos e emblemáticos queijos mineiros, nossas compotas, as montras de carne de sol, o artesanato, e as frutas, que abundam na região.

Se ainda não saboreou uma pitanga, um jambo, uma jabuticaba, uma carambola, uma mangaba ou um cajá, essa será sua chance.

Você que anda precisando de sustância, refém das dietas e da ditadura da balança, relaxe: frango com “Ora-pro-nobis”, ao molho pardo e com quiabo e angu; leitãozinho à pururuca, tropeiro e tanta, mas tanta coisa gostosa, que você voltará para casa com um pequeno sentimento de culpa.

Te levarei pra uma via-sacra pelos bares de BH.

Comeremos uma traíra sem espinhas no Careca. Uma maçã de peito na Mercearia do Lili e um rabo apertado no Zezé. Tudo acompanhado por uma pinguinha de alambique, da boa.

Te levarei à praça do Papa para ver a cidade à noite. Com um pouco de sorte, pode ser que algum violeiro esteja fazendo uma serenata por lá. No outro dia sonhei que Celso Adolfo cantarolava a canção Nós Dois, compenetrado, derramando sua voz afinada e grave sobre os telhados de BH. Só ele e seu violão.

Minas tem montanhas, cachoeiras, tem rios formosos. Podemos fazer um passeio de vapor pelo São Francisco. Você vai gostar.

Para fechar o passeio, se não consegui te impressionar até aqui, passaremos pela casa de meus pais. Minha mãe faz um franguinho caipira que não é deste planeta. E meu pai tem sempre um causo pra contar.

Lá tem cuitelinhos que bebem água doce na janela da cozinha, tem sanhaços amigos bicando bananeiras no quintal, árvores frutíferas e um céu absurdamente azul. E uma varanda, com um sofá velho (daqueles que abraçam a gente) de onde dá pra ver, de dia, todo o esplendor das montanhas mineiras e, à noite, a lona do céu salpicada de estrelas.

Você, caro leitor, precisa conhecer Minas Gerais.

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