Louisiana não permite que imigrantes indocumentados se casem no Estado

Louisiana não permite que imigrantes indocumentados se casem no Estado

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Louisiana não permite que imigrantes indocumentados se casem no Estado

A noiva Marilyn Cheng,  nascida nos EUA, e o asilado Out Xanamane, portador do green card, tiveram que viajar até o Alabama para se casar

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A noiva Marilyn Cheng,  nascida nos EUA, e o asilado Out Xanamane, portador do green card, tiveram que viajar até o Alabama para se casar

Após perder a luta contra o casamento gay, o Estado exige de todos os estrangeiros o passaporte com visto válido e a certidão de nascimento

A polêmica surgiu em 2015. Após perder a briga contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a direita religiosa em Louisiana decidiu que a instituição sagrada do casamento estava mais uma vez sob ameaça, desta vez, por imigrantes mal intencionados. Segundo os legisladores estaduais, os trabalhadores indocumentados e até terroristas descobriram recentemente que poderiam tirar proveito das leis matrimoniais locais para adquirir a cidadania; provocando uma suposta epidemia de “fraude nos casamentos”. A solução? Obviamente, dificultar para que os imigrantes se casem no estado.

Em virtude disso, a partir desse ano, qualquer estrangeiro que queira se casar na Louisiana deve apresentar passaportes com vistos em dia, mesmo que uma Corte Federal tenha determinado que as licenças de casamento não podem ser negadas tendo como base o status migratório, assim como, de forma inexplicável, a certidão de nascimento dos noivos. A apresentação da certidão é imprescindível.

A lei de fato impediu que os imigrantes indocumentados que vivem no estado se casem, como foi programado, entretanto, prejudica inúmeros imigrantes legais também. A Louisiana abriga milhares de refugiados, a maioria deles naturais do Vietnam e Laos que receberam asilo político nas décadas de 70 e 80, depois de fugirem do avanço do comunismo em seus países. Atualmente, esses moradores possuem green cards (residência permanente) e até mesmo a cidadania americana, mas nenhum acesso às suas certidões de nascimento e, em muitos casos, se é que tal documento exista.

A nova lei chamou pouco a atenção pública quando entrou em vigor em janeiro de 2016. O imigrante Out Xanamane, natural de Laos, tomou conhecimento da legislação quando teve negado o pedido de licença de casamento. Ele nasceu em uma vila próximo à cidade de Savannakhet, em 1975, o ano que o país foi dominado pelo comunismo. Nascido em casa, ele nunca obteve uma certidão de nascimento. Ele e sua família chegaram aos EUA em 1986, depois de passarem por campos de refugiados na Tailândia e Filipinas. Desde então, ele mora no país, possui a residência permanente (green card) e aplicará para a cidadania americana.

Até ficar doente nesse verão, a falta de certidão de nascimento nunca foi um problema para Out e sua esposa, Marilyn Cheng, nascida nos EUA. Em julho, ele foi diagnosticado com câncer no fígado, a mesma doença que clamou a vida de seu irmão há 2 anos. Eles se casaram em 1997 numa cerimônia budista, mas a Louisiana não reconhece legalmente casamentos religiosos. O casal descobriu isso quando o empregador de Cheng, que indiretamente patrocina o seguro de saúde de Xanamane nos últimos 2 anos, pediu uma cópia da certidão de casamento, depois que as contas hospitalares referente ao tratamento do câncer começaram a chegar.

“Eles me disseram que eu tenho que retornar a Laos e pegar a minha certidão de nascimento”, disse ele, que nunca mais retornou ao seu país de nascimento. “Entretanto, não há nenhuma certidão lá, tampouco”.

A solução foi viajar 7 horas de carro para um estado mais liberal: Alabama. Eles juntaram os 4 filhos e a irmã de Xanamane em um carro e dirigiram até Montgomery, uma jurisdição que aceita sem problemas green cards como forma de identificação. Em 8 de agosto de 2016, o 19º aniversário de seu casamento budista, Xanamane e Cheng foram declarados oficialmente marido e mulher. Então, eles dirigiram novamente 7 horas de volta a casa, na Louisiana.

 

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